O relatório 'Deepening Divides' do Fórum Econômico Mundial (junho de 2026) confirma que a fragmentação geoeconômica custa à economia global entre US$ 213 e US$ 307 bilhões anualmente, com perdas potenciais de até US$ 6,9 trilhões no pior cenário. Impulsionada por barreiras comerciais, restrições a investimentos e uso de cadeias de suprimentos críticas como arma, essa fragmentação reestrutura permanentemente as cadeias de valor globais. Enquanto a China consolida seu domínio no processamento de terras raras — com aumentos de preço de seis vezes e aprovações de licenças para empresas ocidentais abaixo de 25% — os EUA, a UE e aliados buscam construir cadeias de suprimentos paralelas por meio de iniciativas como FORGE (54 países) e a Lei de Matérias-Primas Críticas da UE.
Os custos da fragmentação: mais que blocos rivais
O relatório do WEF alerta que a fragmentação se espalha para aliados como UE, Canadá, Japão e Coreia do Sul. Os custos anuais de US$ 213–US$ 307 bilhões representam 0,2–0,3 ponto percentual adicional de inflação. No cenário mais severo — desacoplamento total de grandes economias — as perdas do PIB global podem chegar a US$ 6,9 trilhões (6,4% da produção mundial). Mercados emergentes sofrem as maiores perdas, com quedas de PIB de até 10,7%. Desde 2020, cerca de 18.000 novas medidas comerciais discriminatórias foram implementadas. As tendências de fragmentação no comércio global aceleram, enquanto o comércio de serviços cresceu 9% em 2025 e o comércio Sul-Sul subiu para 57% das exportações dos países em desenvolvimento.
Uso de terras raras pela China como arma
Os controles de exportação da China sobre terras raras, tungstênio, antimônio e prata em 2025-2026 criaram uma crise aguda de oferta para as indústrias ocidentais de defesa e tecnologia verde. A China controla 90% do processamento de terras raras, 80% do tungstênio e 60% do antimônio. Os controles levaram a aumentos de preço de seis vezes fora da China, com aprovações de licenças para empresas europeias caindo abaixo de 25%. Mais de 80% das empresas europeias dependem de cadeias de suprimentos chinesas para minerais críticos. A China utiliza controle — não escassez — por meio de restrições temporárias e reversíveis. Reconstruir alternativas independentes pode levar de 20 a 30 anos, enquanto os países ocidentais têm uma janela de 12 a 18 meses para agir. A crise na cadeia de suprimentos de minerais críticos força uma reavaliação estratégica.
Contramedidas ocidentais: FORGE e Lei de Matérias-Primas Críticas da UE
Aliança FORGE: resposta de 54 países
Em 4 de fevereiro de 2026, os EUA lançaram a aliança FORGE (Fórum de Engajamento Geoestratégico de Recursos), com 54 países e a Comissão Europeia. A FORGE é apoiada por mais de US$ 30 bilhões em financiamento. Central é o Projeto Vault, uma parceria público-privada de US$ 12 bilhões liderada pelo Exim Bank dos EUA para uma reserva estratégica de minerais críticos. Onze novos acordos-quadro bilaterais foram assinados com países como Argentina, Marrocos e Filipinas. A Coreia do Sul preside até junho de 2026.
Lei de Matérias-Primas Críticas da UE
A lei da UE estabelece metas ambiciosas para 2030: pelo menos 10% do consumo de extração própria, 40% de processamento, 25% de reciclagem e não mais que 65% de um único país terceiro. Em dezembro de 2025, o plano de ação ReSourceEU foi adotado, com até € 3 bilhões (US$ 3,5 bilhões) para 2026. Um novo Centro Europeu de Matérias-Primas Críticas, modelado no JOGMEC do Japão, financiará projetos, gerará inteligência de mercado e coordenará compras e armazenamento conjunto. A UE introduziu restrições de exportação em 2026 sobre sucata de ímãs permanentes e alumínio, e a partir de setembro de 2026 proibirá a exportação de baterias de íon-lítio usadas para países não pertencentes à OCDE.
O trilema estratégico: dependência, independência ou híbrido
Analistas delineiam três caminhos estratégicos. Primeiro, dependência gerenciada: aceitar o fornecimento chinês com garantias diplomáticas. Segundo, independência custosa: autossuficiência total por meio de enormes investimentos em mineração, processamento e reciclagem — um caminho de 20 a 30 anos e trilhões de custos. Terceiro, um modelo híbrido de resiliência: combinação de estoques estratégicos, compras diversificadas de aliados, reciclagem acelerada e produção doméstica direcionada. Empresas já adotam estratégias caras de redundância tripla, aumentando custos em 15-25%. As estratégias de resiliência da cadeia de suprimentos incluem near-shoring, friend-shoring e multi-sourcing, mas levam a uma inflação mais alta.
Impactos no comércio global e inflação
A fragmentação eleva permanentemente os custos. O WEF estima que a fragmentação adiciona 0,2-0,3 ponto percentual à inflação global anualmente. A volatilidade dos preços das terras raras aumentou enormemente, com oscilações de seis vezes em 2025-2026. A UNCTAD alerta que as escolhas de política comercial determinam se a fragmentação se aprofunda ou dá lugar a um crescimento resiliente e inclusivo. O impacto econômico da polarização dos blocos comerciais é maior para os países em desenvolvimento, que sofrem as maiores perdas de PIB e têm capacidade limitada para alternativas.
Perspectivas de especialistas
'Estamos vendo uma reconfiguração fundamental das cadeias de valor globais,' disse a Dra. Elena Moretti, autora principal do relatório do WEF. 'Os custos da fragmentação não são apenas econômicos, mas também estratégicos. A escolha entre dependência gerenciada, independência custosa ou um modelo híbrido deve ser feita rapidamente.'
'A China não está criando escassez; está usando o controle como arma,' disse um analista sênior do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais. 'A janela de 12 a 18 meses para construir alternativas é real. Depois disso, os custos da independência podem se tornar proibitivos.'
FAQ
O que é fragmentação geoeconômica?
É a desintegração da integração econômica global devido a tensões geopolíticas, barreiras comerciais e uso de dependências econômicas como arma.
Quanto a fragmentação custa à economia global?
O WEF estima custos anuais de US$ 213–US$ 307 bilhões, com perdas potenciais de até US$ 6,9 trilhões (6,4% do PIB). Mercados emergentes perdem até 10,7% do PIB.
O que é a aliança FORGE?
É uma iniciativa liderada pelos EUA com 54 países e a UE, lançada em fevereiro de 2026, para garantir cadeias de suprimentos de minerais críticos, com mais de US$ 30 bilhões em financiamento.
Como a China controla o fornecimento de terras raras?
A China controla 90% do processamento global. Os controles de exportação em 2025-2026 causaram aumentos de preço de seis vezes e reduziram as aprovações de licenças para empresas ocidentais para menos de 25%.
Quais são as três opções estratégicas para as economias ocidentais?
(1) Dependência gerenciada: continuar contando com a China com garantias diplomáticas; (2) Independência custosa: autossuficiência total em 20-30 anos; (3) Resiliência híbrida: combinação de estoques, diversificação, reciclagem e produção direcionada.
Conclusão: uma janela em contração
As evidências do WEF, UNCTAD e outras análises são claras: a fragmentação geoeconômica está acelerando e se aprofundando. O futuro das cadeias de suprimentos globais será determinado por escolhas estratégicas nos próximos 12 a 18 meses. Sem ação decisiva, as economias ocidentais permanecem vulneráveis aos controles de exportação da China, inflação mais alta e crescimento limitado em setores cruciais. A cisão de US$ 300 bilhões é apenas o começo.
Fontes
- World Economic Forum, 'Deepening Divides: The Cost of a More Fragmented Financial System,' junho de 2026. Comunicado do WEF
- UNCTAD, 'Global Trade Update,' janeiro de 2026. Relatório da UNCTAD
- Rare Earth Exchanges, 'China's 2026 Export Controls Redraw the Global Supply Chain Map,' 2026. Análise
- U.S. Department of State, '2026 Critical Minerals Ministerial,' fevereiro de 2026. Departamento de Estado
- Comissão Europeia, 'Critical Raw Materials Act.' Lei CRM da UE
- Mining Magazine, 'EU to Spend €3B in 2026 on Critical Raw Materials Supply,' 2026. Mining Magazine
Follow Discussion